As provocações direcionadas ao judiciário são sempre constantes, os problemas da vida interpessoal do cidadão são amparados pela intervenção do Estado na busca da resolução desses conflitos para que ninguém seja tratado com desigualdade, gerando a tão polêmica justiça. Esta configura um valor tão considerável que é estendida ao plano espiritual, presente em muitas doutrinas e sistematizada de maneiras diversas, personificada em algumas como divindades. Alguns acontecimentos denotam aproximação da dimensão espiritual com o plano físico, casos de mediação dos espíritos em julgamentos criminalísticos são vistos atualmente.
Allan Kardec, na obra "O Livro dos Espíritos", capítulo XI, recebe a informação dos espíritos amigos que a justiça pode ser definida consistindo no respeito aos direitos do próximo, que têm como determinantes as leis naturais - tem como postulado os dizeres do Cristo : queira cada um para os outros o que quereria para si mesmo - e as do homem, legislações cujas fontes provêm dos princípios, interpretações e costumes vividos por cada povo.
O plano espiritual tem se aproximado do plano físico, atuando inclusive nos inquéritos policiais e influenciando decisões jurídicas. O famoso caso do saudoso médium Chico Xavier entra neste contexto, que psicografou a carta da vítima de um assassinato, sendo considerada pelo júri como sendo válida, o que inocentou o réu. Em um caso mais recente, uma mulher estava presa a dois anos acusada de ter assassinado o amante, contudo mediante uma psicografia a vítima alegou que a ré estava sendo condenada injustamente, e dentro deste ínterim o júri, munido de uma cultura religiosa, inocentou-a. Em uma edição da revista Superinteressante, que abordava o último caso citado, expôs o discurso de um jurista que afirmou que “Não é ilegal usar documentos psicografados, mas isso só funciona porque quem os avalia são os jurados, que têm cultura e religião variadas. Já que não há como checar a fidelidade desse tipo de informação, nada impede que seja retirado do processo.”
Este intermédio espiritual nos conflitos tutelados pelo poder judiciário é recorrente nos Estados Unidos da América, onde os médiuns por muitas vezes vendem o serviço sobrenatural para auxiliar casos onde o crime é de difícil investigação. Uma pesquisa feita em 1993 concluiu que 35% das delegacias situadas em grandes cidades, já haviam recorrido aos médiuns.
É atraente a intervenção da espiritualidade nas questões judiciais , mas o que quebra esse brilho é a venda dos serviços mediúnicos para este fim fugindo do princípio da caridade, tão reforçado por diversos avatares que encarnaram neste planeta, incluindo o grande mestre Jesus Cristo. Fundando-se na perspectiva da falibilidade, e do mau gênio humano, é possível que haja uma mistificação em demasia de quem oferece o serviço mediúnico, entretanto há casos em que os resultados surgiram de verdadeiros fenômenos relacionados ao dom da mediunidade. Sendo assim, cabe aos que remuneram os médiuns que se oferecem para resolver os casos policiais, ou que são procurados para este fim, o preço da fé.
